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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Querido diário...

Durante o horário de almoço, tempo ocioso que tenho no trabalho, além de ficar navegando pela Internet aproveito para enviar alguns e-mails pessoais, pensar no que vou fazer de comida para amanhã, se tenho que passar no mercado, o que tenho que fazer chegando em casa, entre outras tantas coisas que coloco na listinha para não esquecer.
Hoje o motivo deste post é que aos poucos vou encontrando ou re-encontrando partes de mim que fazem falta e que andaram comigo durante muito tempo da vida. Sempre gostei de escrever, lembro que em tardes de chuva no cassino pegava folhas e mais folhas e me botava a escrever, sobre a natureza, sobre o amor, sobre as coisas do dia a dia. O tempo foi passando e continuei a escrever, colocar no diário o que tinha acontecido aquele dia, quem conheci, quem me conquistou.
Colei muita entrada de cinema, muito desenho recortado de revista, dei muito beijo de baton rosa nas páginas em que eu escrevia e já cheguei a guardar lenço de papel usado (o que limpamos a boca) e mechas de cabelo. Contei para o diário o dia que fiquei com o primeiro garoto e também quando foi minha primeira vez. A forma de escrever hoje já não é a mesma, existe o blog, o diário virtual. Mas eu sinto falta do papel, de rabiscar, desenhar um coração entre uma palavra e outra, e por mais que eu também consiga escrever colorido no blog, nada vai apagar da memória e da saudade aquele estojo gordo com canetas coloridas.
Já tive muitos diários, na verdade eles estão comigo até hoje, não coloquei nenhum fora. Ali está parte da minha história, meus detalhes da adolescência, tudo o que eu não tive coragem de falar ou qualquer bobagem que pensei em fazer.
O PC, ao mesmo tempo que aproxima as pessoas e é mais prático aos dias de hoje, não tem o mesmo charme das folhas, das estrelinhas, do tempo em que se disponibilizava para decorar tudo aquilo. Conforme a gente vai crescendo vai deixando de lado os pequenos prazeres. Temos outras preocupações é claro, mas quando se fica "grande" o principal a não esquecer são as coisas que fizeram parte da nossa vida, não só as pessoas, mas tudo aquilo que um dia de alguma forma ainda continua a fazer parte da gente.
Sinto saudade das folhas, do lápis, da caneta, da borracha que fez um borrão naquilo que tentamos apagar. Antes, fazia do blog a extensão do diário que aposentei, mas hoje aprendi e percebi que não vale tanto a pena escrever para quem quiser ler o que antes apenas eu e o diário sabíamos. Tanto importava se ele fosse pequeno, médio ou quase um caderno, o conteúdo dele era a minha maior preciosidade. Dizem que o nosso travesseiro é o único que sabe quantas as vezes a gente já chorou escondido, o diário - para quem tem ou teve - é quem sabe o único que sabe de todas as nossas fragilidades.
Durante muito tempo fiquei sem escrever nas folhas, hoje as vezes me arrisco em cartas, outra saudade que tenho. O e-mail é PÁ PUM ... chegou! As cartas são escritas com delicadeza, mais amor, mais atenção, demoram para chegar, mas quando chegam, nossa, que felicidade abrir o envelope tentando rasgar o mínimo possível para não estragar, abrir devagarinho e ler mil vezes as mesmas palavras.
Os postais já quase não existem mais, a Internet aproxima, mas é um tanto quanto fria. Também me faz rir sozinha na frente do PC, também me faz chorar seja de tristeza ou de saudade, mas também me dá prazer ao escrever, como faço agora.
Não vou abandonar o blog, mas acho que retornarei ao velho e bom companheiro...meu querido diário.

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